terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O QUE DISSERAM AS MÃES...





Humor

O QUE DISSERAM AS MÃES...

Silas Correa Leite

“Quem tem mãe não tem medo”

Henfil


O Que Disseram As Mães de:

01)-Garrincha: “Esse pé torto nunca bateu bem da bola”

02)-Freud: “Não sei porque só pega no soninho quando estou na cama com ele”

03)-Darwin: “Esse meu filho parece que tem macaquinhos no sótão”

04)-Jonas: “Ele ainda vai se meter numa enrascada com alguma baleia”

05)-Noé “Vive enchendo a casa de bicho estranho”

06)-Nero: “Esse regazzo é fogo!”

07)-Hitler: “O discurso dele é só fumaça”

08)-Marco Pólo: “Esse meu filho curioso vai longe”

09)-Caetano Veloso: “Esse moleque tá se achando”

10)-Arnaldo Jabor: “É um bufão que acha que é o que não é, mas só faz fita”

11)-Charles Chaplin: “Não liguem, com o Carlitos é assim mesmo, devagar quase parando, e tudo em preto e branco”

12)- Woddy Allen: “Sei não, se não fosse meu filho, eu diria que não é meu filho”

13)-Lula: “Ele é o grande milagre da família Silva do Brasil, o verdadeiro Silva-se”

14)-Maluf: (Censurado)

15)-José Serra: “O cagão sempre foi da pá virada, e nunca soube perder...”

16)-Bush: “Ele é desmiolado mesmo, sempre gostou de brincar que é Deus”

17)-Ray Charles: “Não se enxerga não, boy?”

18)-Jorge Luis Borges: “É virgem. Sem tirar nem pôr”

19)-Frank Sinatra: “Ele gosta de tudo o que vem acompanhado de uma azeitona. Mulher, Martini, Máfia...”

20)-Poeta Drumond: “Se te atirarem uma pedra, meu filho, faça um poema”

21)-Bethoven: “É uma fuga atrás da outra. Ainda vai acabar ficando surdo”

22)-Paulo Francis: “Acho que joguei fora a criança e criei a placenta”

23)-Karl Marx: “Precisa fazer Capital. Ou trabalho”

24)-Einstein: “Vive no mundo da lua”

25)-Cazuza: “Não é flor que se cheire”

26)-Clodovil: “Adotei um casal de filhos num só”

27)-Ziraldo: “Menino maluquinho ele...”

28)-Silvio santos: “Tudo por dinheiro. Vai encher o baú”

29)-Hebe: “Ela ainda vai dar certo”

30)-FHC: “Sempre achou que tem o rei na barriga. Mas não é nada real”

31)-Pluto: “E ainda acham que ele não é filho do Walt Disney, mas filho da Pluta”

32)-Pedro Álvares Cabral: “Esse só embarca em canoa furada, ô raios. Ainda vai dar com os zurros nágua”

33)-Do autor: “Silascô”

-0-

Silas Correa Leite – República Etílico-Rural Boêmica de Itararé
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net






domingo, 26 de dezembro de 2010

Entrevista com Silas Correa Leite, de Itararé, Cidade Poema





SUPERENTREVISTA Com o Poeta, Ficcionista, Romancista, Resenhista e Ensaísta, Silas Correa Leite, Escritor Premiado em Verso e Prosa – E-mail: poesilas@terra.com.br
Santa Itararé das Artes, SP, Brasil




SuperEntrevista: Como você começou a escrever? Quem lia para você ao principio?
Comecei a escrever mais ou menos entre seis e sete anos. Meu pai lia histórias, jornais, a Bíblia, era um maravilhoso contador de causos, desses de começar a falar e juntar gentarada, amigos, vizinhanças, passarinhos... e entre uma e outra toada brejeira no acordeom vermelho, lá vinham histórias...

SuperEntrevista: Qual é seu gênero favorito? Algum link onde possamos ver ou ler algo sobre sua obra recente?
Meu gênio número um é o Leon Tolstoi. Sobre meus trabalhos, vc procurando num buscador como o Google, vai me encontrar em quase 500 sites. Coisas atuais no
www.portas-lapsos.zip.net – pelo segundo ano escolhido um dos melhores blogues do UOL.


SuperEntrevista:Como é seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever?
Meu processo criativo é não ter processo criativo nenhum. Folha em branco? Assino embaixo, corro o risco. VC tb pode ligar três computadores, dar um tema para romance, um para microcontos ou contos infantis, um para poemas... ou qualquer coisa assim, que em horas vc vai ter centenas de páginas dos trabalhos que vc sugeriu o tema... Entre o escrever e o depois de escrever, o vazio, o nada...

SuperEntrevista:Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever?
Leio de gibis a Platão, de romances a jornais, humor, mas poesia é o meu fraco. Então, a vida – ou o horror da vida – me estimula (por assim dizer) a escrever. Eu escrevo como quem se livra da existencialização, delatando-a, contando-a, feito antena de minha época de horror... tempos tenebrosos...

SuperEntrevista: Quais são para você os ingredientes básicos de uma historia?
Não vejo assim, não curto isso; toda loucura é santa. Meus textos não se preocupam por isso... todo tema é luz, toda narrativa é palco, todos os ingredientes são humanos (humanos?), toda vida é um pé no sacro... Eu escrevo para me livrar do que penso/sinto/capto/crio... com meu lado lispectoriano... sentidor...

SuperEntrevista:Em que sapatos você se encontra mais cômodo: primeira pessoa ou terceira pessoa?
Gosto da primeira pessoa, porque me verto; mas em qualquer prisma, ou enfoque, intertexto que seja, passado, presente, futuro, mudando de cara e pessoa, vazo-me...

SuperEntrevista: Que escritores conhecidos são os que você mais admira?
Gosto do Guimarães, do Machado, do Érico, da Clarice, do João Cabral, da Hilda Hist, e dos estrangeiros entre o Tolstoi o Umberto Eco, o Ítalo Calvino, e outros, do Brasil atual o Scliar...

SuperEntrevista: O que torna um personagem crível? Como você cria os seus?
Meus personagens não existem. A minha loucura é que os tornam críveis, mas nem esse propósito tenho. Gosto de viajar na maionese, na batatinha, assustar com o que crio, fazer o mundo pensar ao me ler, como um ser humano seria capaz de escrever isso... Não crio personagens... eles que me recriam neles, eles que se criam por si mesmos... posso até escrever um romance sem personagem, ou oculto, ou de uma outra espécie imaginada... Não crio, eles se apresentam e se assuntam... entrincheirados de palavras e parágrafos, quando eu ponho pingos em dáblios...

SuperEntrevista: Você é igualmente hábil contando historias oralmente?
Fraco. Piadas, causos, talvez. Sou vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores (USP) de um causo que escrevi bem e que se contasse não ficaria tão bom... Eu mal me existo oralmente. Gosto mais de escrever do que de existir. Gosto mais de ler do que de respirar. Já pensou?

SuperEntrevista: Profundamente em sua motivação, para quem você escreve?
Escrevo para dar testemunho do eu fiz a partir do que a vida me fez de mim. Escrever está no meu DNA. Escrevo a resistência, a sobrevida, o entre-lugar do Eu de mim...

SuperEntrevista: Escreve como terapia pessoal? Os conflitos internos são uma força criadora?
Catarse. Onirismo. Terapia. Jorro neural. Essas coisas. Conflitos eu filtro... De onde vim, para onde vou, o que sou – se é que sou – tipo existir a que será que se destina... Força nutricional da alma nau...

SuperEntrevista: O feedback dos leitores serve pra você?
Muito pouco. Não escrevo pra isso. Gosto de elogios, adoro críticas, mas agora não tenho mais cura. Retorno é lustro no ego e só. Ainda vou assustar o mundo por escrever sobre coisas que ninguém jamais imaginou que um ser humano possa escrever a palo seco de existir... Existir? Corto os pulsos com poemas...

SuperEntrevista: Você se apresenta para concursos? Você recebeu prêmios?
Ganhei dezenas prêmios de renome em verso e prosa, em universidades até, até de microcontos em Portugal, consto em mais de 100 antologias em verso e prosa até internacionais, mas agora não participo mais de concursos... Passei essa fase. Acho que evoluo quando ovulo.

SuperEntrevista: Você compartilha os rascunhos de suas escrituras com alguém de confiança para ter sua opinião?
Eu mal tenho tempo de ler o que escrevo – mais de mil cadernos de rascunhos (logo devem ir pro Guiness Book) - que escrevo, vazo, detono, mal-e-mal leio e releio para publicar, correção, etc. Trabalho 12 horas por dia, 58 anos. Leva tempo levar e trazer coisas para opiniões...

SuperEntrevista: Você acredita ter encontrado "sua voz" ou isso é algo eternamente buscado?
Minha voz é: berrar é humano. É? Escrevo para testamentar que sim. Minha voz é minha ojeriza ao pântano da condição sócio-humana... A hipocrisia viça. Meu lugar não é aqui. Meu escrever é meu rastilho... Minha voz é um não estar num não lugar...

SuperEntrevista: Que disciplina você se impõe para horários, metas, etc.?
Escrevo o tempo todo, saco, sinto, olho, vejo, capto, antenas ligadas, sem obsessão, como se ganhasse a intuição, a percepção, até de ver o poema no ar (já escrito?) e simplesmente palavreá-lo...

SuperEntrevista: De que você se rodeia em seu escritório para favorecer sua concentração?
Fantasmas, memórias, cervejas, o lado sentidor do devir, blues, amendoim, tristices, e silêncio de doer no sentir...

SuperEntrevista: Você escreve na tela, imprime com freqüência, corrige em papel...? Como é seu processo?
Escrevo em folhas dos cadernos, ou direto na tela, e vai por aí o banzo-blues... Sempre corrijo até me matar de raiva de não ter mais tempo para refazer, corrigir...

SuperEntrevista: Que sites você freqüenta online para compartilhar experiências ou informação?
Mando para um monte de lugar, o Cronópios de vez em quando aceita alguma coisa... eu posto pelai nuns dez, mas já cheguei a postar em mais de trinta...

SuperEntrevista: Como foi sua experiência com editoras?
Péssima. Não acredito em editoras. Um mal necessário? Minha obra e currículo são melhores do que as editoras...

SuperEntrevista: Em que projeto você está trabalhando agora?
Acabando um romance louco tipo infanto-juvenil – mesmo que seja infanto-juvenil de loucos... Escrever é solo mas dói.

SuperEntrevista: O que você me recomenda fazer com todos esses textos que venho escrevendo há anos mas nunca os mostrei a ninguém?
Se enxergue. Desconfie. Re-escreva. Nunca vai estar bom, mesmo depois de estar bom. Eu que penso antes de pensar, não confio em nada assim. Tudo que está perfeito e acabado está podre, disse Brecht.

SuperEntrevista: Como você se define?
Um E. T. em dimensão/travessia errada...

SuperEntrevista: Qual é sua mensagem?
A minha mensagem é que todos têm que saber que o final feliz é que todo morrem...

SuperEntrevista: Sua biografia em quatro linhas:

Escrevo
Escrevo
Escrevo

Escravo

SuperEntrevista: Você publica seu trabalho na rede? Onde podemos vê-lo?
Melhor buscar no Google pelo meu nome. Tem até comunidades no Orkut, Twitter, e vídeos no YouTube. Pimenta no orkut dos outros é YouTube?

SuperEntrevista: Como nasce uma idéia? O que é para você a inspiração?
Tenho mil idéias. Escrevo umas e outras. Algumas aguardam paradas no ar a minha capitulação de escrevivê-las. E assim me ins/Piro.

SuperEntrevista: Que papel tem a tecnologia em seu processo criativo?
Tudo: sempre escrevi muito. A tecnologia facilita o monte, desconte, correções, arquivos, etc. Salva-me de mim.

SuperEntrevista: O que é arte?
Libertação do Ser de si.

SuperEntrevista: Em que circunstancias você tem as melhores idéias?
Na dor, na traição, na solidão, na hora de nossa morte. Amém ou Amem?

SuperEntrevista: Como você corrobora se uma idéia é boa?
Todas as idéias são boas. O que vc vai fazer delas que pode ser bom ou não.

SuperEntrevista: Três idéias criativas que você gostaria que tivessem sido suas.
Ah... milhares... talvez milhões... Infinitas...

SuperEntrevista: Quando e como você começou a ver você mesmo como artista?
Desde muito antes de nascer, acho. Depois guri. Depois a infância confirmou: miséria, fome. O que iria fazer daquilo? Material de trabalho. Juventude: lutas, utopias... Como contar a dor de ter sobrevivido? Pois é. Agora passando dos 50, muito acervo lacrimal. Do caso nasce o jazz?

SuperEntrevista: Por que tantos artistas e criadores têm personalidades voláteis?
Eu não me levo a sério. Quem se leva a sério carrega uma tromba.

SuperEntrevista: Você se considera pós-moderno?
Qualquer coisa assim.

SuperEntrevista: Como uma obra artística deve ser avaliada?
Não tenho medida. Quanto mais louca mais gosto. Deus deve amar os loucos?,

SuperEntrevista: O artista deve se reinventar a cada dia?
A si mesmo... Nova aurora a cada dia, como diria a canção da juventude...

SuperEntrevista: Que artistas você admira e de que maneira têm influência em sua obra?
Caetano, Machado, Charles Chaplin, Glauber, Drummond, etc.

SuperEntrevista: Qual é sua opinião sobre os subsídios públicos para a arte?
Acredito nisso. Vale a pena ver de novo?

SuperEntrevista: A arte autêntica é a arte necessária?
A arte visceral é indispensável...

SuperEntrevista: Você sofre ao se desprender de uma peça que tenha vendido?
Quando eu me livro de mim, perco lastro. Treino vôos?

SuperEntrevista: Ao comprar a obra, estamos mais que nada comprando o artista?
Estamos comprando almas, luzes...

SuperEntrevista: Para a arte não há guia. Como você sabe qual é a próxima coisa a fazer?
Nunca sei. Por isso me mantenho vivo e na luta... O devir me atiça...

SuperEntrevista: O que você acha de que grande parte das obras de arte contemporânea que os museus exibem seja de artistas que já faleceram?
Idéias historiais e vidas-livros

SuperEntrevista: Que papeis jogam em sua trajetória as figuras de marchante, representante, galerista, e intermediários em geral?
Sou anti-dinheirista. Se fosse pensar assim estaria podre de rico, Mas talvez tb mais podre... Sou amador depois que crio.

SuperEntrevista: Que tipo de encomendas você costuma receber?
Prefácios, orelhas, formatações, resenhas, ajudas em teses, em tccs, etc. Trabalho é treino.

SuperEntrevista: Qual de seus trabalhos é o que você mais gosta?
Poesias.

SuperEntrevista: Você coleciona algum objeto?
Sim: não há sensação no esquecimento...

SuperEntrevista: Endereços web, uma por linha
www.itarare.com.br/silas.htm
www.campodetrigocomcorvos.zip.net
etc.

SuperEntrevista: O que você aconselharia aos escritores iniciantes?
Sofram e apareçam. Mereçam-se. E nunca saiam de si. E se saírem, jamais caiam em si.




http://oliteratico.webnode.com/news/literatico/

domingo, 12 de dezembro de 2010

Conto de Natal "O Tocador de Acordeom" Silas Correa Leite Para o Pai, Maestro Antenor Correa Leite








Conto de Natal 2010


O Tocador de Acordeom



Depois de tantas irmãs, eu finalmente nasci. O primeiro varão do clã. Isso me deu alguns privilégios, inclusive e principalmente afetivos, claro, pois à época meu pai era rico, tinha comércio e lidava com lotes de terra no Bairro das Cem Casas, em Harmonia, Monte Alegre, Paraná, hoje Telêmaco Borba, região de Tibagi. Depois de mim ainda nasceram duas irmãs. Quando meus irmãos nasceram, eu já carregava a luz. E a cruz. Porque meu patriarca teve problemas com jagunços e grileiros do Lupion, corrupto governador do Paraná de então, e teve que voltar para Itararé, para não ser morto. Perdeu quase tudo que investira em terrenos. Aí é que começa a minha história. Por aí também começa o lado ruim de ser o chamado bendito fruto. Pois enquanto eu era guri, era bajulado, tinha do bom e do melhor. Quando começou a época das vacas magras, quem teve que cortar a infância pela metade e trabalhar, ajudando em casa, fui eu. De engraxate a vendedor de dolé de groselha preta, de bóia fria a vendedor de pipoca, de vendedor de banana-caturra a vendedor de caldo de cana, de bóia fria a aprendiz de marceneiro na Marcenaria Estrela do meu primeiro pai-patrão, o Jora Leite. O trabalho para ajudar em casa; o guri que eu era assumindo valores e ajudando o patriarca prover o lar. O pai também era regente de corais que fundava; era maestro de bandas e conjuntos regionais evangélicos que inventava de inventar; músico, compositor sacro, arranjador, letrista, dono de vários instrumentos, de bandolim a flauta transversal, de cavaquinho a banjo, de clarinete a acordeões. Mas o pior era eu, carregando o peso, já que meu o pai usava bengalas e tinha problemas de úlcera varicosa nas perdas, às vezes as feridas sangravam, ele tinha que usar meias elásticas e mancava então, e o guri magricela e cara de boi lambido que eu era, com amarelão, calcanhar de frigideira e andar-de-segura-peido, é quem tinha que carregar o bendito do pesado acordeom Universal Líder vermelho de 300 baixos que era uma cruz e tanto pra mim, pequeno, tão esquálido e cara de pidão. E o pai inventava de tocar na rádio, em praças públicas, na igreja, em cultos de oração, nas escolas dominicais, em variados horários, e era eu, o bendito fruto, rebento varão, filho homem, quem tinha que carregar o bendito do pesado instrumento. E o pai, Antenor, além de pregar, cantar e tocar, no acordeom era quem fazia firulas e se sentia à vontade, brilhante e vaidoso, ótimo pregador dos evangelhos também. E ainda, além dos hinos evangélicos, protestantes, como “Mais Perto Quero Estar meu Deus de Ti”, ou mesmo “Da Linda Pátria Estou bem Longe”, ou “Foi na Cruz... Foi na Cruz” ainda, aqui e ali, nos beiços de tardinhas, em frente do portão de tramelas de casa, na Rua 24 de Outubro, Vila São Vicente, em Itararé, nos idos de antigamente, nos tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça de capivara, o artista do meu pai juntava tropé de gente, curiosos, vizinhos, passantes e passarinhos sondando do quarador, para ele então também solar Abismo de Rosas, Chão de Estrelas, algumas marchas-ranchos, valsas, xotes e outras modas bonitas mais. O céu por testemunha.

Mas eu tinha certa raiva do pai, entre uma mágoa e tristice. E além da vergonha de, mal me agüentando em pé, ir atrás dele – que dava no pira depressinha – parando malemal a cada cem metros, se tanto, para descansar do peso enorme do acordeom o que certamente cedo ou tarde me daria alguma hérnia. Mas eu, feito um cordeirinho desmamado, seguia religiosamente o pai, levando o acordeom para ele fazer seu show. Fraco, com raiva, envergonhado de mal me agüentar com o peso, saía cansado atrás do pai, pelas ruas de cacau quebrado de Itararé (paralelepípedos) enquanto minhas bonitas irmãs serelepes iam à frente, levando hinários, letras de músicas, Bíblias, partituras, todas elas bonitas e eu, ali, paradoxalmente ao que tinha sido bem tratado quando piá de tudo, naquele começo de adolescência, topetudo, cara de lambisgóia espeloteado, carregava o peso do acordeom que me lanhava a mão, cansava, me deixava birrento, de tromba, brabo com o pai. Será o impossível? Quando ele tocava, no entanto, fazendo bonito, eu me sentia feliz; é quando eu via prazer naquilo de sofrer, de carregar o peso para ele brilhar. Achei que, de alguma maneira, minha vaidade pueril talvez, nunca perdoaria o pai por isso. Por ter sido rico e ficado pobre. Por eu ter dado tanto trabalho – estive seis vezes para morrer – e ele ter gasto vários terrenos na farmácia do Chiquinho Pucci em Telêmaco Borba para me custear remédios caros e eu então poder sobreviver, escapar, e agora ali, pagando meu pesado e alto preço, carregando aquele bruto instrumento pelas ruas de Itararé a fora, enquanto ele fazia bonito e eu que quando bendito fruto carregara a luz, ali, pra mim, então, por fim também por força de ser o primeiro filho homem, carregava a cruz. Só por Deus. Apanhei muito de cinta, de vara de marmelo. Traquinas, turrão, topete arrebitado. Sempre fui muito hiperativo, o que minha mãe Dona Eugênia em bom português caseiro dizia espeloteado. Atentei muito minhas irmãs; acidentalmente taquei até fogo em serraria ao brincar com cepilhos e caixa de fósforos, ou seja: pintei e bordei. Só vendo pra crer. Isso porque meu pai não descobriu nem um por cento do que eu atinado aprontava. A mãe, até, dizia que eu dei dez vezes mais trabalho do que todos os outros filhos juntos. Por isso, dar alegria, ser contador de causos, tinha que ser a minha cota de compensação. Valeu a pena? Ah, mas carregar aquele acordeom pra lá e pra cá, era minha sina. Eu não suportava aquilo. Por isso, acho, talvez, mas só talvez, nunca aprendi música – sou um músico frustrado – nunca aprendi tocar instrumento nenhum. Comecei a estudar, mas parei por causa da palheta do clarinete na roupa – eu era disperso, vivia no mundo da lua – ou por causa dos calos nos dedos ao tentar aprender a tocar violão e cavaquinho com o meu Tio Jare, irmão de minha mãe Eugênia. Eu tinha bloqueado meu cérebro de alguma forma instintiva, e, a bem dizer, era também, falando sério, um manteiga derretida. Vão vendo. Quando tinha apresentações do meu pai, o que era rotina, beiçudo, lá ia eu carregar seu acordeom. Que sina. Assim foi toda a minha juventude, até deixar Itararé, terra-mãe, ir peregrinar minhas viajações por São Paulo, lutar, estudar, vencer na vida, ajudar meus familiares, escrever meus livros, depois de tomar licor de ausência de minha adorável Santa Itararé das Artes. Muito tempo depois que o pai morreu, pelos primos Paulo Rolim e Eugênio Cleto, fiquei sabendo de um ouvi-dizer do clã, o que me deixou muito triste por eu ter odiado carregar o acordeom do pai, e me fez finalmente ter de alguma forma perdoado o velho e entendido a missão do patriarca com o instrumento. Eram histórias que o povo contava, lados de Sengés, ventiladas pelo clã Correa Leite, e que me abriram o coração e desataram os nós de lágrimas guardadas. O Pai que nasceu entre 1900 e 1906 (nunca sabemos se a data de registro era certa), em 1930, quando o bando de Getúlio Vargas invadiu Itararé, ele que encorpara com outros jovens e era acendedor de lampiões de gás em Itararé, numa maroteira tentativa varonil de imprudente resistência à invasão de Itararé, até que fora preso feito um rebelde bom de briga e entrão na história. Saindo de um baile num circo que atuava em Santa Cruz dos Lopes, depois de dar seu show particular no acordeom de um palhaço cego seu amigo, com amigos joviais e bagunceiros de Itararé e de Sengés agitaram de tentar desencarrilhar vagões do trem na leva de revolucionários que viriam para a tal batalha de Itararé, quando Itararé foi bombardeada. Junto com a caravana do bombachudo gaúcho de São Borja vinham também estrangeiros, índios, negros, mamelucos, paroaras do Paraguai e Uruguai, biscates polacas; uma grande leva de putas mesmo, entre muares, burros de cargas, canhões velhos, e muitos soldados catados pelo caminho ou que se adensaram ao grupo, que se agregaram para terem o que comer, ver no que daria aquela briga nacional de meia-tigela contra a política café-com-leite de Washingtom Luiz, entre a turma paulista e os mineiros. Corria a guerra interna do Brasil que, como outras que deram com os burros nágua, essa se deu na mudança da oligarquia política, fechamento de um ciclo histórico, e Itararé foi palco, a história do Brasil passando por lá. Numa dessas tentativas isoladas de levante e revanche, o pai foi preso com seus cupinchas de ocasião, e uns mambembes soldados revolucionários o levaram, junto com amigos briguentos, para uma prisão num vagão de trem que estava parado na estação de Coronel Isaltino, adjunto ao rio Pelame. A ordem era deixar os bocós dos guerrilheiros ali, até morrerem de fome que fosse, mal vigiados por uns gaúchos cara de bosta seca, alguns estrangeiros, inclusive alemães e uma leva de pedaçudas polacas doentes para morrer de sífilis. O pai preso e sabia que, condenado de antemão, iria finar ali, pelo que intentara de inventar, correndo riscos, metido a valentão que sempre foi. Ficou preocupado, ponderou. Tinha a família, os amigos, os irmãos da igreja que largara, pois era um desviado da Presbiteriana então. Até que, entre os bens que os soldados pilharam das casas na região de Itararé toda, apareceu uma bela gaita de sete baixos importada. E foi nela que o pai, curioso, bom de prosa, dá licença, sim sor, pediu para tocar algumas polcas e xotes para agitar aqueles soldados, entreter as moças cor-de-rosa a beberem vinho, entre a turba a carnear animais que também pilharam em fazendas no entorno da região barulhada de Itararé. O pai ali, tocando acordeom para os guardiões do seu cativeiro, feito um refém tinha hora de banzo e, aqui e ali, ora puxava o fole e chorava, pedindo em promessas a Deus, para escapar daquilo, se ver livre, voltar pra igreja, salvar os amigos que, sempre da pá virada, metia em enrascadas das grossas como aquela que poderia ser fatal. Depois de tocar a noite toda, quase com os dedos sangrando, pois os revolucionários bêbados botavam alegria na tristeza deles naqueles ermos, quando um tipo alemão pediu também para solar uma musica de sua terra de origem, que lá ouvira de ancestrais. E tocou uma musica de crente, seus pais eram luteranos. Meu pai chorou. Emocionado. Um sinal de Deus? Só podia. Pediu pro alemão lhe ensinar algumas posições, fez tipo, logo, estavam amigos de ocasião, e o pai tocava aquela musica que muitas décadas depois, o filme Titanic consagrara, como “Mais Perto Quero Estar Meu Deus de Ti”; o navio afundando e os músicos tocando. Uma cena clássica do cinema americano. Pois o pai aprendeu e fez a promessa de voltar pra igreja, se escapasse da morte, criar juízo. Tenho a quem puxar?. Uma noite, Itararé já vencida, Getúlio Vargas indo amarrar o cavalo pampa no obelisco do Rio de Janeiro, assumindo a Presidência do Brasil, todos ratiando de bêbados, cozidos, depois do pai ter as mãos sangrando por tocar horas em parar, o alemão amiúde veio e tirou as amarras do pai, para que o pai também soltasse os amigos e pudesse fugir, só prometendo, para o imigrante clandestino em terras brasileiras, fugidio de diásporas da primeira guerra mundial da Europa, que usaria os instrumentos sempre para louvar a Deus, em memória do clã de origem nórdica.

O pai prometeu chorando e rapidinho escapou, pode assim viver mais de 70 anos constituir família, fundar corais e bandas em Itararé e na região de São Paulo e Paraná; ter pioneiros programas evangélicos de rádio em Itapeva, Jaguariaiva e Telêmaco Borba, podendo assim voltar para Jesus, salvar os amigos. E pagar a promessa, claro. Pois eu tinha sido ocacionalmente um ajudante dele naquela pregação, naquela louvação a Deus, carregando pra lá e pra o bendito do acordeom.

Muito tempos depois, já adulto descobri, que eu era uma espécie de armeiro do pai, naquela missão, como pagador de promessas. Um ajudante dele, e, então, finalmente descobri por fim, muitas décadas depois, que mesmo nunca conseguindo, por algum trauma instintal, preguiça frente a regras formais, neuras mesmo ou inércia cerebral (falha no psico-motoro) aprender a tocar nenhum instrumento, sendo para sempre um músico frustrado, também, talvez em memória do Pai e do seu Acordeom de Estrelas de Saudades, por causa disso que narro agora eu tinha sido marcado para sempre.

Sim, meus irmãos, eu tinha no meu próprio nome, desde o nascimento e registro no Cartório de Ventania, como uma sina, uma luz, algumas notas musicais... Si... lás... Escrevendo eu continuo solando meu pai pelaí, com o acordeom de minha alma fazendo versos como quem chora de amor e de saudade.
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Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, Estância Boêmia
Obra da Série “Contos de Natal, E Acontecências em Verso e Prosa”
E-mail: poesilas@terra.com.br - Site: www.portas-lapsos.zip.net

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Leite Derramado - Conto de Silas Correa Leite




Microconto:

Leite Derramado



-Mãe, eu sou gay!

-Tá bom filho, tá bom, Júnior.

-Ué, você não vai chiar, ter um siricotico, causar um terremoto?

-Nem te ligo, guri, nem te ligo. Teu pai também era.

-Ué, e como foi então que eu nasci? Eu caí do céu de Itararé que nem purpurina?

-Ué, filhota, eu já não te falei que aqui em casa era o padeiro quem entregava o leite?

-0-

Silas Correa Leite
Estância boêmia de Itararé

E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net

Microconto da Série “Eram os Itarareenses Extraterrestres?”

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Manipulação da Mídia - As Estratégias (Vide Folha, Estadão, Veja, Rede Globo)





Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação midiática
Por Noam Chomsky*, em
Adital

Tradução: Adital


O linguista Noam Chomsky elaborou a lista das “10 Estratégias de Manipulação”através da mídia.


1. A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado “problema-ração-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” previsa para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.
3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
4. A estratégia de diferir. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrificio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.
5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Ae alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou ração também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.
6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de aceeso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…
7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.
9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se autodesvalida e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E sem ação, não há revolução!
10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dosúltimos 50 anos, os avançosacelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem disfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

* Linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dicionário Itarareense




DICIONARIO ITARAREENSE – De Santa Itararé das Artes Por Atacado


Dicionário do POVO DE iTARARÉ
Deusolivre - Termo utilizado largamente um todo tipo de conversa , expressa afirmação negativa categórica. (Ex.: Deusolivre que eu vou no cemitério a noite !)Xééé - Nem pensar , de jeito nenhum , de forma alguma . (Ex.: Você vai trabalhar Domingo ?? - Xééé !!!!!) Óia - Olhar algo , veja , preste atenção. (Ex.: Óia só que coisa !!!) Úia - Olhar coisa ou pessoa interessante , chamar atenção para algo especial . (Ex.: Úia que belezura !!!!) Cornetear - Falar alguma coisa de outra pessoa , algo parecido com "fofoca". (Ex.: O Walter estava Corneteando o Primo ontem ) Ataque de bicha - Expressão que representa um momento de nervosismo .. (Ex.: Ele me deixou tão atarantada que me deu um ataque de bicha !!!) Póde Erguê - Não vou fazer , nem pensar de jeito nenhum. (Ex.: Preciso que você vá à pé até a cidade. - Póde Erguê que eu vô !!!!!) Gorfá - Vomitar . (Ex.: Acho que bebi demais , vou Gorfá !!!!) Quaiá o Bico - Dar muita risada . (Ex.: O pião tomou um Capote e eu Quaiei o bico !!!) Vô chegando - Ao contrario do que parece é utilizado quando você vai embora , esta saindo (Ex.: Bom pessoal a festa tá boa , mas Vô chegando !! ) Reganhera - Estado letárgico que geralmente ocorre logo após o almoço, moleza , soneira.(Ex.: Comi 3 pratos de feijoada e me deu uma Reganhera daquelas)Furdunço - Confusão , normalmente relacionada a festas (Ex.: Tava lá na festa e de repente começou uma briga...foi o maior Furdunço !) Isgueio - Palavra utilizada para identificar uma ação que não ficou aprumada em linha reta. (Ex.: Ela foi estacionar o carro e ficou de isgueio .) Fianco - A mesma coisa que Isgueio .Farfanho- entrou meio na lateral (Ex. estacionei de farafnho na rua)Vai rendê - Vai dar certo , algo que vai funcionar. (Ex.: Hoje eu vou no baile , vai rendê !!) Carçá - Palavra que indica comer alguma coisa para matar a fome. (Ex.: Vô carçá o estomago , antes de sair prá balada !!) Erguida - Levar uma bronca . (Ex.: Quebrei o prato e tomei a maior erguida da mãe !!!)Pial - O mesmo que Erguida , uma bronca , chamar a atenção de alguém . (Ex.: O Zé chegou as 3:00 hs de pé melado e tomou o maior pial da patroa.) Dormiu - tudo aquilo que se encaixa perfeitamente .(Ex.: O guarda-roupa que ganhei dormiu na parede do quarto .) Posá - Dormir em algum lugar .(Ex.: Posso posá hoje aqui ??) Espeloteada(o) - Pessoa elétrica que tem temperamento forte , birrenta . (Ex.: Essa menina é muito Espeloteada !!!!) Capote - Cair , escorregar , tombo , queda . (Ex.: O Cara fez a curva e tomou o maior Capote !!!) Trincar o côco - Tomar todas , beber até cair . (Ex.: Hoje eu vou no bar e só saio quando trincar o côco !!!) Melá o pé - O mesmo que trincar o côco. (Ex.: O marido da Mariquinha Méla o pé todo dia no Bar !!!) Bissurdo - Absurdo , inaceitável , incrível . (Ex.: Essa coisa de seqüestro é um bissurdo !!!!) Fiótão - Pessoa menos preparada , sem experiência , meio bobo . (Ex.: Olha lá a besteira que ele fez !!! Só podia ser Fiótão mesmo .. ) Muquiado - Ficar escondido no canto , na espreita .(Ex.: O João fico Muquiado a noite toda prá pegá a mulher dele no flagrante !) Orná - Que combina , fica bom com algo mais . (Ex.: Vou comprá essas roda aro 17" !! Vai orná na pick-up ) Chovendinho - Dia ou noite com chuva fraca , quase uma garoa ..(Ex.: O cara tomou o capote porque tava Chovendinho !!!) Pior que é - É isso mesmo , concordar plenamente .(Ex.: Eu acho que o João é frutinha . Pior que é !!!!) Frutinha - Rapaz delicado que não demonstra sua masculinidade (Ex.: Olha só !!! Andando desse jeito só pode ser Frutinha !!!) Euem - Não vai fazer , participar ou falar algo . (Ex.: Você foi no velório ontem !!! - Euem tá loco !!!) Bico ¹ - Cara meio atrapalhado , pessoa que faz besteiras freqüentemente. (Ex.: Aí o Bico foi lá e tomou o maior fora da garota !!!!) Bico ² - Olhar, avaliar. (Ex.: Dá um bico se essa peça tá ok. ) Bicão - aquele que não foi convidado (Ex.: Quem é aquele cara de camisa laranja e rosa, boné verde e vermelho? Acho que veio de bicão na festa) Forfé - Bagunça , agitação . (Ex.: Fui no baile e tava o maior Forfé !!!) Namorandinho - Estar com alguém , namorar firme . (Ex.: O Fábio está namorandinho a Joana !!!!) Sartei de Banda - Deixar de fazer algo (Ex.: Você foi ajudar a encher a laje na casa do João ? - Euem Sartei de banda !!) Virô um Rebosteio - Termo utilizado quando tudo dá errado. (Ex.: Eu tava na marginal e a agua do rio começou a subir eu tentei sair e não deu, Virô um Rebosteio!) Fervo - Local agitado , festança legal . (Ex.: E aí , vamos no Fervo hoje na casa do Manezinho ??!!) Oreia Sêca - Utilizado para designar uma pessoa ignorante , simplório .. (Ex.: Esse é um Oreia Sêca mesmo , não tem jeito !!!!) Samiá - O mesmo que semear , espalhar algo . (Ex.: O Zé foi no quintal Samiá o milho .) Revertério - Define mal estar , estar passando mal . (Ex.: Comi aquela maionese e me deu o maior Revertério !!!) Morgá - Não fazer nada , ficar paradão como um lagarto no sol .. (Ex.: Hoje não tô afin de fazer nada , vou Morgá o dia todo .) Lagartear - O mesmo que Morgá .Zé Ruela - Pessoa que só faz besteira . (Ex.: Esse cara é um Zé ruela mesmo , dá uma olhada na besteria que ele fez!!!)Pórva - Pessoa ou coisa que não presta , que não tem qualidade . (Ex.: Comprei uma calça jeans marca Pórva mesmo .) Páia - Tem duplo significado , pode ser o mesmo que Pórva e também pode ser mentida . (Ex.: Esse cara só conta Páia , não acredite nele !!) Páiero - É o mentiroso . Tropinha - O mesmo que gangue , bando , galera .(Ex.: Vamos reuniar a Tropinha prá pegar ele depois da aula !!!) Dar uns Péga - O mesmo que ficar ou tirar um sarro com alguem . (Ex.: Hoje vou Dar uns pega na Maria depois da missa !!!) Paroqueada - Conversa mole , papo-furado , conversa sem interesse.(Ex.: Ah !! o Mané fica no bar a tarde toda só na Paroqueada com os outros.) Castelá - Dar em cima de uma garota. (Ex.: Vô Castelá aquela loirinha ali !! ) Estorvo - Tudo que atrapalha , inclusive pessoas que atrapalham. (Ex.: Aquele Bico é um Estorvo !!!!!) Manguaça Véia - Expressão utilizada normalmente quando um indivíduo sofre uma queda uu um tropeção por qualquer motivo . (Ex.: Eh!!! Caiu de novo Manguaça Véia !!!!) Saír vazado - Atitude de todo bundão que apronta alguma e depois dá cagada. (Ex.: O dono do carro tá vindo aí, sai vazado !!!) Treta - Expressão usada quando o indivíduo arruma confusão.(Ex.: Passei uma conversa naquela menina e namorado dela ficou sabendo , deu a maior treta.) Furar o Zóio - Enganar, tirar vantagem (Ex.: O Túlio vai me vender um módulo por 300 reais, será que está furando meu zóio?)Migué - Às vezes substitui a palavra "xaveco". (Ex.: Aquela tava difícil, tive que jogar a maior migué nela pra conseguir o que queria.) Azesquerda ou Asdereita - Termos utilizados normalmente para definir direções a serem tomadas em algum caminho. (Ex.: Você então vira Azesquerda e depois Asdereita e segue em frente.)Catando Coquinho - Termo utilizado em uma situação em que a pessoa quase cai e consegue se levantar . (Ex.: Aquele carinha , tomou em tranco do Tonhão e saiu catando coquinho .) Nervo - Termo utilizado quando a pessoa está irritada ou nervosa com algo ou alguem.(Ex.: Aquele Oreia sêca que trabalha comigo só faz besteira e eu tenho que consertar , isso me dá um Nervo !!!!!) Vaidalá - Termo utilizado para informar que um caminho te levará onde você quer ir.(Ex.: E se eu pegar a Rua Mascaranhas Camelo , vaidalá ??? - Ahh vaidalá tambem !!!) Pare com isso - Termo utilizado largamente um todo tipo de conversa, expressa solicitação veemente. (Ex.: Você é um gato sabia !?? Não fale isso, pare com isso !!!) MÓ - Expressão designativa de grandeza/intensidade. = Muito. (Ex.: O clube que nóis fumo ontem é "mó" legal !!) Subir lá em cima / Descer lá em baixo - Reforço de afirmação. Pra garantir que a pessoa realmente suba pra cima e não para baixo, ou desça pra baixo e não para cima. (Ex.: Eu subi lá em cima prá pegar as caixas e depois eu tive de descer tudo lá em baixo !!!) Putaquelamerda - Expressão de espanto. Susto.(Ex.: Putaquelamerda, que susto ! )Viela - Expressão comum usada em afirmações. (Ex.: Eu viela hoje .)Ceroto - Sujeira do nariz. (Ex.: Menino !!! pare de tirar ceroto do nariz !!!!) Piririca - Aquela sujeira escura que fica nas dobras da pele dos seus filhos, depois de brincarem o dia todo na rua. O mais famoso é o cordão do pescoço. (Ex.: Vá tomar banho menino !! Olhe só , você está cheio de piririca !!!!) Atarantado(a) - Estar ou deixar alguém nervoso . (Ex.: Aquele moleque deixa a mãe dele atarantada !!!) Arriá uma massa - ir ao banheiro para fazer suas necessidades fisiológicas. (Ex.: Cadê o André ? Ele tá no banheiro , deve tá arriando uma massa !!) Bufa - Palavra que identifica o ato de exalar gazes . (Ex.: Hummmm que cheiro é esse ? Alguém soltou uma Bufa aqui !!!)Gaitiá - Palavra utilizada para definir quando alguém muda de voz durante uma conversa (Ex.: Xééé , o Ronaldo tava falando no telefone e deu umas gaitiadas) Diapé - Palavra que identifica uma forma de se locomover. (Ex.: Você vai de carro ou Diapé ?) Dordeperna - Expressão utilizada para identificar dores nas pernas. (Ex.: Ontem fui trabalhar Diapé e hoje tô com muita Dordeperna ) Embruião - Designa aquele que não é confiável , também aquele que não gosta de trabalhar. (Ex.: O Chico tá desempregado de novo ! Também é um baita Embruião ! ) Gambé ou Os home - Pseudônimo dado aos policiais. (Ex.: Ihhhh sujou, os gambés! ou "Olha a barcona, os home...os home") Barcona - Viatura da polícia. (Ex.: Acima)Guéla - Duas situações, fofoqueiro ou falastrão. (Ex.: OLha rapaz, você fica falando pra todo mundo, pare de dar guéla) Truta forte - Amigo, parceiro . ( Ae, esse aí é truta forte) 6V - Ato de fazer a devolução de algo emprestado. ( Raimundinho, esse gaguhio é 6V...vai, volta, voando, viu...viado, véio) Baguhio - objeto (Ex.: acima)Castelá - olhar (Ex.: Castele, castele aquela mina; é uma petequinha) Petequinha - garota bonita (Ex.: acima) Desacorçoado - enjoado, desanimado (Ex.: Pô meu, tou desacorçoado com esse cara, ele é o maior por fora) Por fora - chato, inconveniente (Ex.: acima)Carcada, chamada, pito - chingo, chamar a atenção. (Ex.: Nossa, tomei um pito da professora - Tomei uma chamada do guarda) Piabada, chacoalhada, vareio - perdeu feio ( haha, seu time tomou uma piabada ontem)Ceva - dois sentidos: cerveja (Ex.: E aí, vamos no boteco tomar uma ceva? Mio - mancada, pisou na bola ( O marquinho foi na lanchonete, ficou bêbado e deu o maior mio ) Bichera- má qualidade, ruim (O que você está pagando com essa bike Michelzinho? Essa bicheira!) Pagando - se mostrando, se aparecendo (Ex.: acima)Nervoso - potente (Ex.: O Jabá colocou um motor novo no carro dele, o carro ficou nervoso ) Serrote ou segueta- pidonho, aproveitador (Ex.: Tava na boa na padaria comendo um lanche, daí chegou o Carlão e me pediu um pedaço, o cara é serrote) Bandeira - vacilar, desatento (Ex.: O Raimundinho tá lá na esquina, fica dando bandeira) Fio - se dirigindo a pessoa com certo nervosismo (Ex.: Já coloquei meu fio!)Miuda - quieto, no lugar (Ex.: O Pardal já tá começando ficar puto, vou ficar na miúda)Puto - bravo (Ex.: acima) Pegou de brabo - firme, pesado (Ex.: O Maicon precisava terminar aquele trampo logo, pegou de brabo) Trampo - trabalho, serviçoDois palito - rapido (Ex.: Vou buscar o violão, é dois palito) Lagartão - aquele que faz serviço pesado, puxa saco. (Ex.: OLha o Juarez, desde cedo carregando aqueles fardos de 50Kg, é um lagartão mesmo) Bicão - aquele que não foi convidado (Ex.: Quem é aquele cara de camisa laranja e rosa, boné verde e vermelho? Acho que veio de bicão na festa) É o bicho - ótimo, de qualidade ( Cara...veja o celular novo com câmera que comprei, é o ultimo lançamento, é o bicho) Roça - encrencado (Puts! Cobrei o Xandinho perto dos camaradas, agora ele quer tirar satisfações; tou na roça) Nhaca - ressaca, mal disposto (Ex.: Tomei todas ontem, hoje eu tou uma nhaca) Tiozinho - pessoa mais velha, idoso, coroa (Ex.: Não sei quem foi, eu vi aquele tiozinho mexendo no baguhio) Vaza - dois sentidos: mancada, vacilo ou vai embora, retire-se rapidamente(Ex.: 1 - Dei uma cantada na mina do Marião, dei vaza, será que vou apanhar? 2 - Não sou macaco gordo, mas vou quebrar o galho de vocês, não vou lhes aplicar a multa, mas vaza daqui, sai vazado... vai....vaza, vaza...seus vagabundos!)