sábado, 24 de abril de 2010
DECLAMAR POEMAS - Poema de Silas Correa Leite
O Autor, Silas Corrêa Leite, com Três Anos, em ItararéDeclamar Poemas
Não gosto de decorar poemas
Prefiro falar poemas com um livro na mão
O livro é meu instrumento musical.
(Solivan Brugnara)
Para Regina Benitez
Não fui feito para declamar poemas
Ter timbre, empostar a voz, tempo cênico
E ainda dar tom gutural em tristices letrais.
Não fui feito para decorar poemas
Malemal os crio e os pincho fora
Pro poema saber mesmo quem é que manda.
Não fui feito para teatralizar poemas
Mal os entalho e deixo que singrem
Horizontes nunca dantes naves/gados.
Não fui feito para perolizar poemas
Borboletas são pastos de pássaros
Assim os poemas que se caibam crusoés.
Não fui feito para ser dono de poemas
Eles que se toquem e se materializem
Peles de pedras permitem leituras lacrimais.
Não fui feito nem para fazer poemas
Por isso nem cheira e nem freud a olaria
Apenas uso estoque de presenças jugulares.
Não fui feito eu mesmo. Sou poema
Bípele, cervejólo, bebemoro noiteadeiros
Quando ovulo sou fio-terra em alma nau.
-0-
Silas Correa Leite, Itararé-SP
E-mail: poesilas@terra.com.br
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Quando a Mãe Morreu (Eugênia de Oliveira, Itararé, In Memoriam)
Quando a Mãe Morreu
In Memoriam de Eugênia de Oliveira, 13.10.2010
Quando a mãe morreu
Meus amigos dizem que perdi muito do brilho dos olhos
Tudo o que lutei, conquistei, venci, abri caminhos... foi por ela.
Meus poemas ficaram mais duros, a amargura tomou conta do meu ser.
Senti meu espírito rasgado.
Recolho cacos, tento sobreviver mesmo sendo humanamente possível
Mas acho que muito de minha vida se foi quando a mãe morreu.
Meus amigos me socorrem como podem, abraçam, choram comigo
Minhas lágrimas agora são as minhas preces em memória de minha mãe.
Nasci com defeito de fabricação, não fui feito para perder mãe.
Não há peças de reposição na hora da morte. Perco horizontes.
Escrevo feito um guri correndo atrás de uma mãe que já não há.
Aponto o dedo para o céu, para as estrelas e digo... Lar... Casa... Mãe.
E se resisto é pelas pessoas que eu amo, e que ficaram.
A casa da mãe sem a mãe nem é mais um lugar de estar em mim.
Tento não vegetar, não perecer; luto pelos que choram comigo.
Mas é o momento mais triste de minha vida.
Escrevo como quem morre por falta de açúcar e mimo de Mãe.
Na barriga da terra-mãe Itararé espero ser depositado um dia
Ao lado de minha mãe Eugênia
Para que meu espírito atribulado possa então reencontrá-la e eu finalmente possa descansar em paz
Dessa triste existencialização que nos deu uma mãe e depois nos arrancou de nós.
-0-
Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Os Livros, Os Livros, Poema de Silas Correa Leite

Os Livros, Os Livros
Para Monteiro Lobato, In Memoriam
Os livros não estão prontos pra você
Na biblioteca, dizendo
Me pegue, me pegue
-Leia-me, leia-me!
(Ou, os livros estão prontos para você
Em qualquer lugar dizendo
Me pegue, me pegue
-Leia-me, leia-me?)
Siga-os livros
Sinta os livros
Cheire-os pelas mãos, pelos cotovelos
E eles ali nas salas de leituras
Nas prateleiras entre molduras
Aguardando você se abrir para vê-los
Lê-los, sabê-los...sê-los...
Os livros estão lado a lado
Poemas, contos, romances bordados
Ilusões, aventuras, juvenis
Todos com capas, orelhas, perfis
Esperando serem sondados
Descobertos, possuídos, levados pra casa
Levados pelo coração
Levados pela imaginação
Para clarificarem ideias, criarem asas...
Algum livro espera por você nalgum lugar
Discreto, secreto, infinito particular
Querendo ser lido – querendo ser devorado
Para você finalmente se sentir e se achar
Dentro de si em seu mais perfeito e puro estado
Um livro é uma estrada
Uma vida empapelada
Com começo, meio e fim
Um livro é como você assim
Uma Alma-luz querendo ser revelada
Em vez de sofrer e ir pescar
Em vez de sentir e ir pro bar
Ou sair chorando para não se ferir
Ou se esconder na solidão para orar
Leia um livro pra você se encontrar
Para você sensível se inquirir
Sentir a dor do outro
Num outro magnífico estar...
Como você mesmo é a sua página predileta
Leia o livro de um contador de historias ou de um poeta
Para você então alumbrado sorrir e chorar
Pois todo ser humano só verdadeiramente se completa
Quando é um curioso e feliz rato de biblioteca.
-0-
Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, Cidade Poema
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
Para Monteiro Lobato, In Memoriam
Os livros não estão prontos pra você
Na biblioteca, dizendo
Me pegue, me pegue
-Leia-me, leia-me!
(Ou, os livros estão prontos para você
Em qualquer lugar dizendo
Me pegue, me pegue
-Leia-me, leia-me?)
Siga-os livros
Sinta os livros
Cheire-os pelas mãos, pelos cotovelos
E eles ali nas salas de leituras
Nas prateleiras entre molduras
Aguardando você se abrir para vê-los
Lê-los, sabê-los...sê-los...
Os livros estão lado a lado
Poemas, contos, romances bordados
Ilusões, aventuras, juvenis
Todos com capas, orelhas, perfis
Esperando serem sondados
Descobertos, possuídos, levados pra casa
Levados pelo coração
Levados pela imaginação
Para clarificarem ideias, criarem asas...
Algum livro espera por você nalgum lugar
Discreto, secreto, infinito particular
Querendo ser lido – querendo ser devorado
Para você finalmente se sentir e se achar
Dentro de si em seu mais perfeito e puro estado
Um livro é uma estrada
Uma vida empapelada
Com começo, meio e fim
Um livro é como você assim
Uma Alma-luz querendo ser revelada
Em vez de sofrer e ir pescar
Em vez de sentir e ir pro bar
Ou sair chorando para não se ferir
Ou se esconder na solidão para orar
Leia um livro pra você se encontrar
Para você sensível se inquirir
Sentir a dor do outro
Num outro magnífico estar...
Como você mesmo é a sua página predileta
Leia o livro de um contador de historias ou de um poeta
Para você então alumbrado sorrir e chorar
Pois todo ser humano só verdadeiramente se completa
Quando é um curioso e feliz rato de biblioteca.
-0-
Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, Cidade Poema
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net
sexta-feira, 19 de março de 2010
Casa da Mãe - Para Eugênia de Oliveira
Eugênia de Oliveira, Mãe do Poeta Silas Correa LeitePoema Homenagem
Casa da Mãe
Para Eugênia de Oliveira, In Memoriam, 13.03.10
Ir para casa e não ver a Mãe
É não estar em casa.
Ir para Itararé e não estar com a Mãe
É não estar em mim.
Ir para a Mãe e a Mãe não estar lá
Já é quase morrer.
Porque a casa e a Mãe se completam
Uma está em outra para assim muito bem estarmos em nós
E não encontrando a Mãe em casa
Podemos também não nos encontrarmos nunca mais.
Porque a casa-mãe-Itararé
É tudo uma soma de estarmos em nós mesmos
E da Mãe estar na casa e a casa ser a Mãe
Onde quer que a Mãe esteja.
Talvez, também, por isso é
A Casa, a Mãe, tudo - Itararé
Parte de nós. Como lágrimas no céu; como uma Igreja.
-0-
Silas Correa Leite, Poetinha da Estância Boêmia de Itararé-SP
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas.htm
Blogues: www.portas-lapsos.zip.net
www.campodetrigocomcorvos.zip.net
quarta-feira, 3 de março de 2010
Ideias Noturnas, Belo Livro de Eduardo Sabino, Resenha Crítica de Silas Correa Leite

Pequena Resenha Crítica
“Ideias Noturnas - Sobre a Grandeza dos Dias”, Livro de Contos de Eduardo Sabino
“O dia-a-dia não precisa ser extraordinário para
ser interessante. O cotidiano é riquíssimo de assuntos
e acontecências de toda espécie – fora e dentro da gente.
É só ficar com as antenas ligadas – as antenas da
curiosidade dos sentidos e dos sentimentos, de
senso critico, de senso poético, sem
esquecer do importantíssimo e
indispensável senso de humor”
Tatiana Belinsky
Você não consegue ler o livro de Contos “Idéias Noturnas” (Editora Novo Século, SP, 2009, 120 páginas, Série Novos Talentos da Literatura Brasileira) de uma só levada, a um só termo. Você é inesperadamente surpreendido na pegada de lê-lo e saber que tem que respirar a leitura, de alguma forma por si mesmo e de per-si, pontuando-a. Parar. Stop. Voltar a tomar pé e pulso no verbo ler. Reler. Porque cada vez que sondando antevê, “pensa” que é, que sonda o arremedo narrativo do devir, o tema e o andamento, mas tudo o que sentia parecer na verdade não é. Contos incomuns, algo (raros) estranhos, por assim dizer como elogio. Tiram você da lerdeza do ler puro e simples para uma sentição do que lê e admira. Grandeza dos Dias? Dos escritos também.
Os contos de Eduardo Sabino são claramente (literalmente) diferenciados. Escreve com uma boniteza que reveste a surpresa da contação em agradável prazer de leitura. Já ganhador de Concurso, participante de antologias, colaborando com veículos de comunicação, inclusive sites, é também editor da revista eletrônica “Caosletras.blogspot.com”. Nasceu em 1986, e, sendo tão novo e tão bom, denso, contundente que seja, é encanto gratificante sabê-lo e conhecer desenhos da escrita dele nesse novo livro de contos.
Otimamente bem Prefaciado por Rinaldo de Fernandes, que dele aponta com conhecimento de causa: “O protagonista do conto (Purgatório, pg 25) está entre o sonho e a realidade de um cotidiano desbotado(...). A vida eterna não nos resolve a angústia de viver (Eternas Angústias de um Imortal, pg 29)(...). Os contos de Eduardo Sabino, irônicos e intensos, com personagens angustiados, alguns à borda do desespero, não raro flagrados em situação de pobreza(...)”. Pois é, ironias, seres (quase-seres/sub-seres), animais, máscaras, monstros, vírus, loucuras... baratas. Doce Lar? Não há nexo na vida real.
Purgatório é sim, um conto sobre um “ser” urbanóide no entre-subsolo de um elevador; sobe, desce, lamurias, contemplações, martírios; reinando. O ser que incabe em si. Desconexões. Vazios. Impertinências (e um olhar ferino) do escritor retratando o ser de si no que vê, sente, repagina; em páginas de restos até porventura rotos que assim sejam. O olhar aproximando da trajetória alheia. “Todos abençoados porque estão vivos. Abençoados porque morrerão” (pg 31). Santo Deus!
Abismo (pg 33) uma das melhores criações do livro. Linda ficção. O abismo é viver; que é ser feliz, que é (talvez?) a própria estupidez de tentar ser Ser... A retina do escritor reformatando aspectos invisíveis, risíveis, verossímeis... criados, imaginários; resgatados também da rudeza dos dias... Sim, diz Eduardo Sabino, é preciso estar muito próximo para conversar a língua do olhar. (Céu Aberto, pg 49). Um roteador de sombras, como um eu-endereço-de-mim, em mim e no outro. “La Sombra”, belo conto, pg. 53, especifica o norte (mote?), o estilo: “La Sombra, a essas alturas um vulto com olhos amarelos e fiapos de cabelo, sugeriu que poderia haver uma esperança se os outros enxergassem melhor o que achavam tratar de meros contornos desprovidos de luz(...).
Eduardo Sabino joga luzes letrais em contornos que redescobre, pincela, amalgamado capta nuances, enlivra desafetos afins, defeitos de fabricação do humanus. De heróis a anônimos, povoando a criação (O Herói e o Escuro, pg 57) a situações-conflitos, rostos e trevas, ideias verbais (aqui noturnizadas). Seres?. Retratando tristezas que nascem e morrem a cada dia. What a Wonderful World?
Banzo (pg 75) emociona, cala fundo. Dói no literal. O melhor dos trabalhos. E por aí vai, O Inquilino, O Jardim Encantado, e outros tantos do mesmo gabarito. Eduardo Sabino relata aspectos (de condições humanas) entre espectros sub-existenciais até. De se ler com prazer, mais, entrar na alma da contação, satisfazer-se, sendo a leitura de “Idéias Noturnas” um imenso (muito) prazer. É o autor com talento dando voz aos desvalidos, aos tantos instantes-trevas da vida, inclusive a fragmentos de vidas retorcidas. Senti-las é isso. Escrever sobre elas, dando peso e fermento; purgações, coisa de quem está fazendo muito bem o que se propõe. In/purezas no pântano da condição humana? O criador se encontra no(a) self?
Nesses tenebrosos dias em que ando muito triste sozinho, escrevendo na pele do espírito a dor de um momento difícil, nervos frágeis à flor da pele, a leitura circunstancial do livro colocou um (algum) certo sentir novo (e revisitado no íntimo) em mim, como se tudo fosse mesmo só isso, cara pálida, nascer, sobreviver, morrer, no durante contorcer-se com a nossa dor, a dor dos outros, e, ainda assim e por isso mesmo captar a grandeza dos dias. Será o impossível? Tudo a Ser.
Entrar no mundo criacional de Eduardo Sabino é ter a sensação de que se lê uma história que nasceu por si mesma, em si mesma, como referendou Julio Cortazar. E assim Eduardo Sabino acertou em cheio, acertou a mão. É do ramo e muito bem conhece do oficio e da linguagem de. Contos para se ler com o olhar, afinando-se na riqueza de quem sabe dar vazão a querelas talvez corriqueiras que parecem sair da esquina do olhar; de um beiço de vida, num clarear de tardes e pertencimentos de seres que também são a nossa cara, pois a existêncialização não é nem uma herança e nem uma evolução apenas, mas, um certo modo de nos envolvermos com o sentido social-comunitário de nos fazermos em cada natureza de criadores e criaturas, feito espécies assim de “antenas” (parabolizadas) de nosso tempo, registrando tudo, doa a quem doer, custe o que custar. E dói muito mais em nós, sentidores, entre prismas e colchas de retalhos com sabenças sensíveis de foro íntimo. Goethe diz que “qualquer coisa que formos capaz de fazermos ou que sonhamos que somos capazes, devemos começar a fazer, pois a coragem traz consigo gênio, poder e magia”.
“Idéias Noturnas” é a magnitude de tudo isso e um rebite a mais. Sintam-se humanóides. Bem-vindos ao mundo literário de Eduardo Sabino e suas fragrâncias de dias cheio de ideias literariamente clarificadas.
-0-
Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, SP, Brasil
E-mail: poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design, SC
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