quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Código do Itarareense Andorinha







01)-Itarareense não tem pais. Faz do Céu de Itararé e da Terra de Itararé, seus pais, sua família, seu lar terreal, e. em Itararé se sente dentro do seu próprio coração0

2)-Itarareense não tem casa. Faz da aldeia Itararé o seu ninhal, a sua casa, e a leva na alma, na mente, no coração, como uma honra, um orgulho, uma bandeira0

3)-Itarareense não tem poder divino. Faz de seu amor por Itararé, o seu poder divinal, com a graça de Deus0

4)-Itarareense não tem pretensão. Faz da própria iluminura pessoal por Itararé, a verdadeira pretensão de amor e paz0

5)-Itarareense não tem poderes mágicos. Faz de sua personalidade especial de ser Itarareense, os seus poderes mágicos, encantados pelo prazer de viver com humor e contenteza0

6)-Itarareense não tem vida ou morte. Faz das duas umas, tem Itararé, de Itararé veio e para Itararé irá, então, essa é a sua maravilhosa vidamorte, pois sabe que abençoadamente será Itararé um dia0

7)-Itarareense não tem visão. Faz da luz e do relâmpago que conecta o céu com a terra, a sua visão telúrica como um vôo para o celeiro cósmico, eterno, infinital0

8)-Itarareense não tem audição. Faz da sua sensibilidade espiritual, seus ouvidos, pois Itararé é forfé, é letral, é harmonia, melodia e ritmo

09)-Itarareense não tem língua. Faz da prontidão para o diálogo boêmio, o rebite da dialética sobrevivencial, por intermédio de sua língua chã

10)-Itarareense não tem luz. Faz de Deus a sua defesa, e de sua fé o seu baluarte de salvação em seu rincão natal, o seu paraíso de paz e luz como santuário

11)-Itarareense não tem estratégia. Faz do direito à vida o seu dever de salvar vidas também, pelo direito sagrado de ser feliz como eixo norteador, sendo essa a sua magna estratégia e orquestração

12)-Itarareense não tem projetos. Faz do apelo à imaginação o seu sonho, o que torna sua espiritualidade rica, como um soma para um interativo projeto de construção de uma vida melhor, um mundo melhor, uma peregrina busca evolutiva de todos por todos, todos por um e o uno, razão e fim, é a Estância Boêmia de Itararé

13)-Itarareense não tem princípios. Faz da adaptação a todas as circunstâncias, o seu próprio princípio e conceito existencialista de conviver e viver com solidariedade e muito humor, inclusive etílico

14)-Itarareense não tem tática. Faz da aceitação da escassez e da abundância, uma coisa só, uma tática de semear constantemente, no amor e na dor, servir sempre, prosperar e enriquecer inclusive em conhecimento, conteúdo e ainda em filosofia, até porque, a magnífica grandeza de Deus usa os boêmios para confundir os sábios e os artistas na arte como libertação

15)-Itarareense não tem talentos. Faz de sua hilária imaginação fértil, um talento laborioso de edificar com graceza e prazeirança a suntuosa árvore da vida

16)-Itarareense não tem amigos. Faz de sua mente e de seu coração, sua arca vivencial por um humanismo de resultados, portanto sabe que toda vida na face da terra e do céu, é uma alma amiga

17)-Itarareense não tem inimigos. Os inimigos é que os têm

18)-Itarareense não tem armadura. Faz da benevolência, da caridade e da ética plural-comunitária, a sua armadura, e sabe que viver é lutar, então não foge à luta

19)-Itarareense não tem espírito. Faz do território pluridimensional de todas as vidas, o seu campo de lavanda, onde a perseverança é sua área de sobreviver, sua busca para dar frutos, dar flores, semear poemas, serestas e bebemorações

20)-Por fim, Itarareense não tem paraíso, até porque, Itararé não é um lugar, é uma terra da fantasia, uma terra do nunca (nunca a esqueceremos), Itararé é um lirial celeste aqui mesmo, Itararé é uma idéia, um triunfo, um estado de espírito. No campo de estrelas de Itararé, fazemos nosso céu, nosso abençoado chão, porque o que somos é a grande raiz de onde viemos, e para onde formos levamos quem amamos, então, se do céu de Itararé viemos, ao chão de Itararé voltaremos, esse é o perene Código Vital de todo Itarareense que é andorinha grande, andorinha sem breque, um verdadeiro Taperá!-


E quem for Itarareense que siga.

Silas Correa Leite (Poetinha)

-E-mail: poesilas@terra.com.br – Blogues: www.portas-lapsos.zip.net ou www.campodetrigocomcorvos.zip.net -

Site: www.itarare.com.br/silas.

Poema do Rio Itararé Que Corre Pela Minha Aldeia





O Rio Itararé Que Passa Pela Minha Aldeia

O Rio Itararé
Que é o mais belo rio que passa por minha aldeia
Nascendo lá muito mais majestoso é
Do que aquele riozinho de estúdio na novela feia...

Porque o Rio Itararé
Sai da pedra, vai e volta, sonoro serpenteia
E a lapa de pedra da gruta da santa com fé
O rio itarareense em lágrimas do céu margeia

O Rio Itararé
Não é o rio da novela – e nem mesmo aquela santa
Porque a catedral do Itarareense está na Infinita Sé
Quando a andorinha notívaga de celestidade se imanta

O Rio Itararé
Não cabe numa novela, num canal de tevê, num tubo da televisão
À beira do rio santo o Itarareense tira a sandália do pé
E em berço esplêndido de luz lava a alma etérea e o altivo coração

O Rio Itararé que se vê estranho e diferente no tardiscar da novela
É falsa imaginação e um desmanche de pobre fantasia
Na terra-mãe a renda da espuma flutuante do rio é muito mais bela
E o milagre é de espiritualidade com a natureza em sintonia

O Rio Itararé não é global, é encantário, mágico, ninhal, infinito
Cabe na alma, no espírito; na pele honrada da gente
E depois o Rio Itararé é muito mais bucólico, pitoresco, bonito
E vem no DNA do que o seresteiro de Itararé sente

O Rio Itararé é cênico, fílmico, letral, polissinfõnico e eterno
E se passa na tez chão, no tembé, no espírito, na bandeira e até na divisa
Porque saber o Rio Itararé e levá-lo no coração por ter-no
E só em Itararé corre o Rio Itararé onde em chão de estrelas se eterniza
-0-
Poeta Silas Corrêa Leite – da Estância Boêmia de Itararé-SP
www.itarare.com.br
E-mail: poesilas@terra.com.br
Ver blogue de Itararé: www.artistasdeitarare.zip.net

A Fala do Itarareense, Por Silas Correa Leite

Foto do Literato Silas Correa Leite, em Palestra
Acadêmica Sobre "A Arte Como Libertação"
Na Universidade de Palmas, Facipal


A Fala do Itarareense (Itararé-ês - de Itararé-SP)

Pequeno Apontamento Para Rascunho de Micro-ensaio

A Linguagem do “Itararé-ês” – Confeitos de Comunicabilidades

-Itararé é um belo e bucólico município de divisa de estado. Por isso mesmo é de um cênico mirabolante, um circo de sítios descomunais, um portentoso chão de estrelas, verdadeiro palco iluminado por excelência de andorinhas sem breque (quem nasce em Itararé é “Andorinha”). E tem uma espécie de dialeto único, todo próprio da cidade bonita pela própria natureza, entre o São Paulo do sudoeste e o estado sulino do Paraná. Mistura nesse “Itararé-ês” de falações, resquícios do gauchês largado (passagens de tropas, revoluções, inclusões logísticas), o cor-de-rosa polaco catarinense que se canta no falar como se salmasse a palavra, o paranaense que mingua caipirices de um brasileuropeu, alguns fragmentos letrais (que multiplicadores se tornam rueiros) de italianos detravessados (imigrações), entre ciganos, húngaros, alemães, suecos, turcos e outros juncos viajosos de tantas diásporas extracontinentais. Por isso Itararé tem um variado elenco de repertório composto de diálogos errantes, falações de variantes etnografias, em falácias loquazes de dialéticas exuberantes, mais os chamados ditos populares, os tantos cantares poéticos; contações quase que líricas e até expiações letrais risantes. Itararé de divisa (e por isso mesmo também), tem lastro crítico-criativo, entre coivaras de ramos lingüísticos e sapés de linguagens com prosopopéias do chamado “contar palha” mesmo. Além de muitos causos e contentezas de variadas pernas e sulfixos, muito das barulhanças do chamado “ouvir-dizer”. Exemplos como forfé, guaiú, tardiscando, faiaca, de-vereda, conheceu papudo, pelames, ir de bubuia, saltei de fininho. Já pensou? Passei a vida inteira catando as linguagens pegajentas e popularescas de Itararé, com minha bateia de granizos. Um mosaico letral ridente. Acho que o itarareense tem linguagem carregada como quiabo na pedra... A bem dizer, escorregadia como água, diz-que-diz-que; bem prosaica no dia-a-dia, pitoresca e barulhada, quase fala-cantoria, louvação. E também nesse proseio próprio de divisa geocultural (?), separa os confeitos das falas na língua, como se um macadame de conversar em variadas raízes exóticas abrasileiradas, entre moendas e engenhos, feito linguagem líquida. Antes de esmerilhar o sujeito, sapecar o predicado e retumbar o verbo, invertendo com galanteio um e outro, pega a palavra para o varejo. Conhece do oficio. Que serpenteia nas passagens do dizer-se. Aliás, falando sério, o Itarareense é muito bom de bico. Conta papo afiado como garbo, saracoteia diálogos, re-oxigena serelepe as entoações ardidas. Na conversa fiada alumia os parafusos dos verbos e vocábulos, quando não inventa de inventar misturanças que redundam em neologismos, e no palavreio nutriente-cultural sapeca histórias do arco da velha (e do álcool da mais-valia sobrevivencial – ai de ti boemia de Itararé!). O “falar Itararé” é isso: um itararé-ês. Com falas como andar-de-segura-peido, calcanhar-de-frigideira e outras palavras descruzadas, o Itarareense deixa saudades e flores por onde passa, e nesse andarilhar seresteiro (e noiteadeiro) deixa fluir o seu vareio de linguagem própria. E entre mentiranças, claro, barulheiras sonoras, causos hilários, leva e traz o escarcéu líquido do ser de si, empanturrando bares e viagens de entintadas histórias pra boi dormir. O Itarareense deita falatório, e, com releituras nos palavreiros de divisa (com suas peculiares especificidades), como é, está, permanece, seduz e registra. Acontece. Traz Itararé dentro de si, como um signo ficante de enluo e orgulho-raiz. Entre a imaginação fértil e as memórias inventadas, entre o linguajar sério-luso e o lusco-fluxo do tabuleiro das linguagens, depura o arame de gramáticas bonitas, alegres, com paginações retumbantes.
Aliás, Itararé é berço esplêndido, e, falando sério, a bem dizer, a fala do Itarareense é centopéica.

-0-
Silas Correa Leite (Primeiro Apontamento Para Um Rascunho Literal)



Livros: Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos,além do e-book de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, free no site www.itarare.com.br


(Texto da Série: “Eram os Deuses Itarareenses?”)

Luiz Antonio Solda, de Itararé-SP, pelo Famoso Humorista Jaguar


Quadros de Zunir Pereira de Andrade Filho


Poster Poema: Silas Correa Leite e Luiz Antonio Solda


Arte Popular, Arte de Rua, Artista Pinguim Santana, de Itararé